Comitê da Região Hidrográfica da Baía de Guanabara e dos Sistemas Lagunares de Maricá e Jacarepaguá

Guanabara, se você pudesse falar ou se nós conseguíssemos te ouvir.

Comemoramos hoje, 18 de janeiro, o Dia Estadual da Baía de Guanabara. Esse dia nos remete à lembrança do trágico vazamento de óleo nesta data, em 2000, e ressalta que a baía é uma sobrevivente! Há amanhãs, apesar de tudo.Por


Marcos Sant’Anna Lacerda*

Nesses últimos 520 anos quantas coisas você já viveu. Suas praias, suas enseadas, suas montanhas que te observam ao longe… Quantas belezas naturais você tem nos oferecido e quase nada temos conseguido dar em troca. Você manteve, ao longo desse tempo todo, uma fauna e flora extraordinária para que pudéssemos nos deliciar.

O que falar da Enseada de Botafogo, de São Francisco em Niterói, do Forte da Laje, da Ilha Fiscal, da Fortaleza de Santa Cruz, da Praia da Moreninha em Paquetá, da presença de golfinhos, tartarugas-marinhas, bagres, paratis, sardinhas e tainhas… Pena não poder listar aqui toda sua riqueza.

Você foi transformada, parte aterrada, mas você resistiu com coragem. Como você é forte, Baía de Guanabara! Viu a estrada real ser construída, participou dela, o Porto Estrela fazia a ligação com a cidade do Rio de Janeiro. Era por suas águas que a família real, desde a praça XV, navegava e subia o Rio Inhomirim até o porto em direção a Petrópolis.

Você viu a cidade do Rio, a Baixada Fluminense, Niterói, São Gonçalo, Magé, Guapimirim e tantas outras cidades crescerem, mas viu com tristeza que os rios que a alimentavam não mais traziam águas cristalinas.

Presenciou as obras da ponte Rio-Niterói, com seus 13 quilômetros de extensão e 70 metros de altura no trecho do vão central, mas seus olhos não enxergaram a implantação da infraestrutura necessária para que você se mantivesse como era. Ainda assim, teimou em permanecer bela, você não se deixou abater.

Ao longo desses anos na busca da construção de um crescimento democrático, harmônico, socioambientalmente mais correto, buscamos uma lei maior que instituiu a política nacional e outra estadual de recursos hídricos, no desejo de proteger as nossas águas. Visando à construção de uma parceria entre a sociedade civil, poder público e os usuários de água bruta, essas legislações instituiram a figura do Comitê de Bacia e, desde 2005, este colegiado vem buscando ser o espaço da gestão compartilhada dos rios que drenam para você. 

Mas temos que te pedir desculpas por não conseguir ainda alcançar nossa verdadeira missão. Talvez seja porque ainda somos novos, pouco tempo de vida ou ainda porque não compreendemos o potencial que juntos teríamos para protegê-la. Programas como o da despoluição de suas águas, o PDBG, concebido no início da década de 1990, para elevar as condições sanitárias e ambientais de toda a Região Metropolitana do Rio, não conseguiram trazer impactos positivos na qualidade de vida, nem da fauna e nem de sua flora. 

Foram muitos os projetos que buscaram fazer com que os rios que chegam a você viessem menos poluídos. Consequentemente, eles teriam suas águas recuperadas. Como tem sido difícil despoluir, parar de poluir…

Se por um lado ainda se mantém uma visão pequena de crescimento a qualquer preço, surge, brota, nasce, a cada dia a esperança de um novo futuro para nossa Baía. Parceria é o norte, a palavra, a busca, a luta, o desejo, talvez a utopia de fazer com que juntos tenhamos mais forças para mudar.

Você tem nos ensinado a resistir como você, a nos renovar também, a renascer. Queremos dizer que, como você, permaneceremos obstinados para protegê-la, para guardá-la para nossos filhos e netos. Para que eles conheçam a sua própria história. Um dia, quando olharem para suas águas, muito mais limpas que hoje, dirão: “Por aqui passaram os tupinambás, cria desta terra e destas águas, portugueses e franceses que disputaram estas terras e águas, brasileiros que não deram importância para estas terras e águas. Mas teve uma geração que despertou e que guardou tudo isso para nós”.

Obrigado por permitir que vivamos, todos os dias, esta luta.
 
Janeiro de 2019

 

* Marcos Sant’Anna Lacerda – Presidente do Instituto Terrazul e do Comitê da Região Hidrográfica da Baía de Guanabara.

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