Você Sabia?

Quem é o Boto Guaná?

A nova identidade visual do CBH Baía de Guanabara traz a representação de um dos animais mais importantes da baía, o boto-cinza. Sua presença nas águas da baía é um importante indicador de qualidade, ou seja, quanto mais limpa, mais botos teremos. E para incentivar a preservação dessa espécie, símbolo da Guanabara, que foi criado o Boto Guaná, nosso mascote!



Nas diversas formas em que é apresentado, o Guaná representa as mais diversas profissões, como cientista, atendente, funcionário de limpeza urbana, dentre outras. O nome “Guaná”, por sua vez, foi pensado de forma a criar uma identificação instantânea com a Guanabara. Além disso, ele possui gênero neutro, o que permite que todos que tenha contato com ele possam criar suas próprias conexões.

O mascote será um importante aliado do esforço coletivo em favor da preservação dos corpos hídricos e, mais amplamente, do meio ambiente na região do CBH Baía de Guanabara.



Boto-cinza indica nível de qualidade das águas

Aproximadamente 80% da contaminação que alcança os oceanos têm suas fontes de emissão nos continentes, por meio de descargas diretas de efluentes urbanos, industriais e agrícolas, além de outras fontes. Essa contaminação é amplificada pela concentração urbana em áreas costeiras, baías e estuários, locais onde vivem os botos-cinza (Sotalia guianensis), espécie de cetáceo de pequeno porte, que povoa desde o sul da costa brasileira até a América Central. A oferta de alimento e abrigo, a proteção contra predadores e a segurança oferecida para o nascimento e crescimento de seus filhotes estão entre os fatores que explicam a preferência da espécie por esses locais.

De acordo com registros históricos, na década de 1980, a Baía de Guanabara chegou a ter 400 indivíduos dessa espécie de cetáceos em toda a sua extensão, mas esse número diminuiu ao longo dos anos e hoje não chega a 40. Devido à poluição sonora e contaminação das águas, hoje, os botos da Baía de Guanabara estão mais presentes nas águas da Área de Preservação Ambiental de Guapimirim (APA Guapimirim), onde ainda se consegue ter uma boa conservação dos manguezais e o desemboque de rios com melhor qualidade da água.



Isso comprova que o boto-cinza é um importante indicador natural do nível de qualidade do ambiente aquático onde vive. Pesquisas recentes têm indicado que alguns mamíferos marinhos, principalmente aqueles que se encontram no topo da cadeia alimentar, como é o da espécie, concentram altos níveis de contaminantes em seus tecidos. Isso ocorre pelo fato de o boto-cinza ser um animal que vive até 30 anos, o que aumenta o tempo de exposição às substâncias tóxicas.

Além disso, o boto-cinza está no topo da cadeia alimentar e ingere animais que já têm no organismo um acúmulo prévio de mercúrio e de pesticidas organoclorados. O animal se alimenta de lulas, camarões e peixes, especialmente do peixe-espada (Trichiurus lepturus), um predador que acumula mercúrio proveniente de outras espécies que consome. Por mais que na água os níveis de mercúrio sejam reduzidos, o metal se concentra mais nos animais do topo da cadeia trófica. Ademais, como esse é um animal que costumar viver até 30 anos, o boto cinza acaba sendo exposto a substâncias tóxicas por muito tempo.

Sua espessa camada de gordura, que possui inegável importância biológica, é o principal substrato para a bioacumulação de contaminantes lipofílicos, entre eles os organoclorados, metais pesados e éteres difenílicos polibromados, encontrados no ambiente e nos demais seres vivos do ecossistema.

Tais contaminantes são conhecidos ou suspeitos de causar diversos efeitos adversos sobre os mamíferos marinhos, incluindo desregulação endócrina, neoplasias, lesões de pele, infecções por patógenos associados à queda imunológica, redução do sucesso reprodutivo, além de esporádicos eventos de mortalidade em massa. Ao mesmo tempo, os botos-cinza exercem importante controle do sistema ecológico marinho e, desta forma, participam ativamente da manutenção da integridade de seu ecossistema. Seu decréscimo ou desaparecimento em algumas áreas poderia provocar alterações dramáticas na estrutura da biodiversidade.

Como afirma o analista ambiental da APA Guapimirim, ESEC da Guanabara e ICMBio, Maurício Barbosa, mesmo na APA Guapimirim são encontradas camadas de metais pesados. Por isso, ainda que em condições ambientais mais favoráveis, os botos permanecem sob risco de extinção local.

O professor do Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores (Maqua) da Faculdade de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Alexandre Azevedo, é contundente ao afirmar que, para que a população de botos-cinza volte a crescer na Baía de Guanabara, é imprescindível retomar com urgência os aspectos de qualidade das águas. “Sabemos que há perspectivas de mudanças que podem reverter o cenário atual da baía. Mas os botos são animais com expectativa de vida de 30 anos e esse grupo tem alguns indivíduos com mais de 20 anos. Então, não acredito que eles consigam resistir tanto tempo mais nessas condições”, afirma Alexandre. Segundo o pesquisador, por serem animais de topo de cadeia, a possível extinção local da espécie acarretaria um desequilíbrio em toda biota local.

Nossa missão, portanto, é não medir esforços para garantir a preservação dessa espécie e, por consequência, da Baía de Guanabara como um todo.




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