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Jacarepaguá: vários bairros em um só

Jacarepaguá, ou yacaré-upá-quá em tupi-guarani, significa vale dos jacarés. Fica na Zona Oeste do Rio de Janeiro e abrange parte dos maciços da Tijuca e da Pedra Branca. Na década de 1980, o extenso bairro foi desmembrado em áreas independentes: Tanque, Taquara, Pechincha, Freguesia, Anil, Gardênia Azul, Cidade de Deus, Praça Seca, Curicica e Vila Valqueire, que hoje correspondem à região da Grande Jacarepaguá.

Com população de aproximadamente 158 mil habitantes, de acordo com o último Censo, realizado em 2010, Jacarepaguá é o quinto bairro mais populoso do Rio de Janeiro e segue em pleno crescimento, uma vez que integra um dos maiores vetores de expansão de área urbana da capital fluminense. Segundo dados da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), a Zona Oeste é a que mais cresceu na última década: 68,5% das unidades habitacionais lançadas na cidade entre 2005 e 2010 estavam concentradas na Barra da Tijuca, Jacarepaguá, Recreio e Campo Grande.

Extenso e eclético, o bairro caminha do ambiente rural ao industrial, ao mesmo tempo em que consegue preservar aspecto de cidade do interior. Além de um forte comércio de rua e pequenos shoppings, Jacarepaguá conta com diversas opções de lazer e de cultura. O Espaço Cultural da Escola Sesc de Ensino Médio, inaugurado em 2008, oferece sessões de cinema, apresentações musicais e teatrais. O bosque da Freguesia, com 31 hectares de mata atlântica preservada, é um dos locais de destaque da região, com disponibilidade para visitação e práticas esportivas. Um dos principais pontos turísticos é a igreja de Nossa Senhora da Penha, com quase 360 anos e 382 degraus.

Origem histórica

A história do bairro começou logo após a fundação da cidade do Rio de Janeiro, por volta de 1590. À época, o então governador Salvador Correia de Sá doou a região como sesmaria – terreno sem cultura ou abandonado e que era doado por Portugal a algum beneficiário – aos filhos Martim e Gonçalo Correia de Sá. A data da carta da concessão é de 9 de setembro de 1594. Os dois irmãos iniciaram a colonização de Jacarepaguá, principalmente Gonçalo. Martim dedicou-se mais à política. Foi governador do Rio de Janeiro em dois períodos, no início do século XVII. Martim casou-se com a espanhola Maria de Mendonza e Benevides. Desta união surgiu a dinastia Sá e Benevides, de grande importância na história de Jacarepaguá, principalmente se considerarmos seus sucessores: os viscondes de Asseca.

Nas primeiras décadas do século XVII, Gonçalo fundou o engenho do Camorim e, dentro dele, a capela de São Gonçalo do Amarante, que ainda existe nos dias de hoje. No mesmo período, surgiram outras edificações na atual Freguesia que perduram até hoje: a sede do Engenho D’Água e a Igreja de Nossa Senhora da Penha, no alto da Pedra do Galo. Na época, essa região de Jacarepaguá já possuía razoável povoamento, em virtude dos diversos arrendamentos feitos pelos Correia de Sá.

Em 1661, foi criada a Freguesia de Nossa Senhora de Loreto e Santo Antônio de Jacarepaguá, que teve como sede inicial a capela construída pelo padre Manoel de Araújo – hoje, Igreja Matriz de Nossa Senhora do Loreto. Jacarepaguá era a região da cidade com mais engenhos de açúcar da época colonial. Os principais eram o Engenho da Taquara, o Engenho Novo (atual Colônia Juliano Moreira), Engenho do Camorim, Engenho D’Água, Engenho da Serra (atual da estrada do Pau Ferro e as encostas da serra da atual Estrada Grajaú-Jacarepaguá) e Engenho de Fora (atual região da Praça Seca).

O século XX chegou quando a República tinha onze anos. Jacarepaguá continuava agrícola, mas o café perdia completamente o seu domínio. A atividade granjeira iniciava a sua presença em Jacarepaguá, juntamente com o novo século. As chácaras se multiplicavam a cada ano para abastecer o mercado do Centro e das outras partes próximas da cidade, que, na época, já possuíam aspectos bem urbanos. Jacarepaguá, apesar de ser bastante rural, não abdicava de acolher as novidades derivadas do progresso. A partir da década de 1970, a formação de grandes indústrias mudou a fisionomia agrícola de Jacarepaguá, que vinha dos tempos coloniais. Surgiram enormes conjuntos residenciais e loteamentos legais e clandestinos. Assim, a população cresceu demasiadamente, fazendo de Jacarepaguá uma cidade grande dentro de outra cidade, com todos os problemas inerentes aos intensos centros populacionais.

Características hidrográficas

A Sub-região hidrográfica Jacarepaguá é limitada pelas encostas atlânticas do Maciço da Pedra Branca, a oeste, pelo Maciço da Tijuca, a leste, pelas lagoas de Marapendi, Lagoinhas (ou Taxas), Jacarepaguá, Camorim e Tijuca, ao sul, e pela Serra do Valqueire, ao norte. A linha limite ao sul é a linha costeira que segue do Canal da Visconde de Albuquerque até a Ponta de Grumari. Estas lagoas se formaram após um processo de assoreamento marítimo que resultou na restinga onde se situa a Região da Barra da Tijuca.

O conjunto lagunar de Jacarepaguá possui uma área de, aproximadamente, 13,24 km². A lagoa de Jacarepaguá é a mais interiorizada do conjunto e possui área de 4,07 km². Camorim comporta-se como um canal de ligação entre as lagoas da Tijuca, a leste, e de Jacarepaguá, a oeste, com área de lagoa de 0,80 km². A lagoa da Tijuca é a maior deste conjunto, com 4,34 km², e a menor é a Lagoinha (ou Taxas), com 0,70 km². A Região Lagunar de Jacarepaguá é formada pelos rios Guerenguê e Passarinhos, provenientes do Maciço da Pedra Branca, pelo Rio Grande (Maciços da Tijuca e Pedra Branca), e pelos rios Pedras e Anil (Maciço da Tijuca). Toda a área desta sub-região hidrográfica está inserida nos bairros de Jacarepaguá, Barra da Tijuca e Grumari, no município do Rio de Janeiro.

Fontes: Portal GeoRio, Portal Multirio, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Portal (Associação Comercial e Industrial de Jacarepaguá) Acija.




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